JUÍZA ARGENTINA SE NEGA A CASAR GAYS POR TEMER "PUNIÇÃO DE DEUS".
Por: JUAN MABROMATA/AFP
MAGISTRADA argentina afirmou que casamento gay é uma coisa muito ruim diante dos olhos de Deus.
Uma juíza de paz argentina afirmou que jamais realizará o casamento de casais homossexuais, um dia depois de o Senado aprovar uma lei que autoriza essas uniões. "Que me acusem do que quiserem. Deus me diz uma coisa e eu vou obedecer com todo rigor, mesmo que custe meu cargo, e mesmo que me custe a vida", garantiu a magistrada da cidade de General Pico, Marta Covella. "Fui criada lendo a Bíblia e sei o que Deus pensa. Ele ama a todos, mas não aprova as coisas ruins que as pessoas fazem. E uma relação entre homossexuais é uma coisa ruim diante dos olhos do Senhor", assinalou Marta.
A Argentina se converteu, na madrugada de quinta-feira, no primeiro país da América Latina a autorizar o casamento entre homossexuais, com uma histórica e longa votação no Senado. A lei foi aprovada com 33 votos a favor, 27 contra e três abstenções, depois de uma sessão que durou mais de 14 horas e apesar da oposição da Igreja Católica, que liderou uma intensa mobilização social para impedir a aprovação do projeto de união gay.
A nova legislação propõe reformar o Código Civil mudando a fórmula de "marido e mulher" pelo termo "contraentes" e prevê igualar os direitos dos casais homossexuais com os dos heterossexuais, incluindo os direitos de adoção, herança e benefícios sociais. A Igreja Católica lançou, na última semana, uma forte ofensiva contra a lei e mobilizou na terça-feira milhares de seus fiéis para pressionar contra sua aprovação na Argentina.
NO BRASIL - Sem uma lei específica sobre a união entre pessoas do mesmo sexo, os homossexuais brasileiros têm de recorrer à Justiça para formalizar seus relacionamentos. Segundo a advogada Sylvia Maria Mendonça do Amaral, especialista no assunto, a decisão fica nas mãos dos juizes, que naturalmente acabam julgando de acordo com seus próprios valores morais. "Vemos casos praticamente idênticos com resultados opostos. Enquanto um casal consegue, outro simplesmente tem seu pedido negado", explicou Sylvia, que há 12 anos pesquisa o tema. "No final das contas, o casal fica sujeito à sorte, porque o resultado depende de qual juiz irá decidir sobre o caso", acrescentou.
Ainda de acordo com a advogada Sylvia, o número de decisões favoráveis à união entre pessoas do mesmo sexo tem crescido a cada ano que passa no Brasil. "O Judiciário acaba legislando, e essa não é sua função", declarou a especialista.
Fonte: (Folhapress)
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